Resumo do webinar: como uma das maiores seguradoras da Europa colocou agentes de IA em produção
- Escrito por
- Anna Neely
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Clientes de seguros raramente ligam quando tudo vai bem. Eles ligam depois de um acidente, para abrir um sinistro ou em meio a uma crise real. Essa conversa molda tudo o que vem depois e, muitas vezes, é a única interação de fato que um cliente tem com sua seguradora.
A Admiral atende milhões dessas conversas todos os anos no Reino Unido, na Itália, na França e na Espanha. Agora, usa agentes de IA para ajudar a atendê-las sem deixar de cumprir as normas.
Neste webinar, a equipe da Admiral nos mostrou como fez isso: escolhendo um primeiro caso de uso, envolvendo as equipes jurídica e de compliance desde o dia zero e passando de um protótipo funcional para mudanças em produção que agora são implementadas em horas, não semanas.
Principais conclusões
- Comece com algo restrito, mas real. O primeiro caso de uso da Admiral em produção, cotações de quitação em sua operação de crédito no Reino Unido, tinha um escopo limitado o bastante para ser implementado em um prazo realista, mas ainda envolvia integrações de telefonia e back-end — o suficiente para comprovar a arquitetura sem resolver tudo de uma vez.
- Eleve o padrão antes de escalar, não o reduza. A Admiral desenvolveu para produção desde o primeiro dia, reformulou seu ritmo de governança para acompanhar a velocidade da tecnologia e envolveu as equipes jurídica e de compliance desde o dia zero com um piloto de escopo bem definido.
- A regulação é a base, não todo o projeto. A Admiral adiciona suas próprias regras internas às exigências regulatórias, usa lógica determinística para tudo que precisa ser comprovável e encaminha clientes vulneráveis ou em situação de sofrimento para atendentes humanos.
- É em produção que o trabalho de verdade começa. Cada mudança em um agente passa por uma suíte completa de testes de simulação e é lançada de 1% para 100% do tráfego — um ciclo que passou de semanas para horas.
Comece com algo restrito, mas não restrito demais
O primeiro caso de uso da Admiral em produção foram as cotações de quitação em sua operação de crédito no Reino Unido: um ponto de partida deliberadamente controlado, em vez do problema mais difícil da lista. Kampa descreveu a abordagem como escolher um país e uma linha de negócios para experimentar antes de expandir.
Neely disse que esse é o padrão que separa implementações que chegam à produção das que ficam estagnadas: o caso de uso precisa ser restrito o bastante para ser resolvido em um prazo realista, mas complexo o suficiente para realmente testar os sistemas ao redor. As cotações de quitação funcionaram porque a conversa tem um número limitado de caminhos, mas ainda envolve integrações de telefonia e back-end — o suficiente para comprovar a arquitetura sem tentar resolver tudo de uma vez.
Alguns fatores foram importantes nessa escolha:
- Escopo limitado, complexidade real. O caso de uso precisa ter variação suficiente para testar a telefonia e a integração de back-end, não apenas um cenário ideal roteirizado.
- Rapidez para chegar à produção. Quanto mais tempo uma solução fica em desenvolvimento, mais demora para que conversas reais gerem o feedback que de fato melhora o agente. Neely chamou isso de "os últimos 20%", a parte que só aparece quando clientes reais começam a conversar com o sistema.
- Volume e impacto juntos. A Admiral começou com interações simples e de alto volume, em que tempos de espera menores e resoluções mais rápidas fariam uma diferença visível na experiência do cliente.
Eleve o padrão, não o reduza, antes de escalar
A liderança da Admiral deixou claro que os agentes de IA deveriam elevar o padrão de compliance e testes, não reduzi-lo. Kampa foi direta: o padrão de validação precisa ser mais rigoroso do que antes, porque o risco de um agente sair do roteiro ou infringir uma regra é diferente do risco de um atendente humano tomar uma decisão de julgamento.
Esse padrão se refletiu em três compromissos que a equipe assumiu desde cedo:
- Desenvolva para produção, não para uma prova de conceito. Kampa orientou suas equipes a projetar desde o primeiro dia pensando em entrar em operação, em vez de conduzir um pequeno experimento que nunca escala.
- Uma governança que acompanha o ritmo da tecnologia. Kampa observou que um processo de governança que leva seis meses para aprovar algo corre o risco de aprovar uma tecnologia já desatualizada quando for implementada. A Admiral reformulou seu ritmo de revisão para acompanhar a velocidade com que os modelos e as ferramentas evoluíam.
- Jurídico e compliance desde o dia zero. Quando perguntadas sobre quando as equipes jurídica e de compliance entraram no projeto, Kampa e Clark responderam imediatamente: no dia zero, com um piloto de escopo bem definido (um número determinado de ligações), em vez de um pedido aberto de aprovação.
Deixe que a regulação defina a base, não todo o projeto
Clark deixou claro que os requisitos regulatórios — como informar ao cliente que ele está falando com uma IA e, em algumas jurisdições, oferecer o encaminhamento para um humano — variam entre Reino Unido, Itália, França e Espanha. A Admiral criou seus agentes para lidar com essas diferenças sem permitir que um cliente use o "encaminhamento" para sair de uma conversa que pode ser resolvida.
Algumas conversas são totalmente mantidas fora do agente: a Admiral encaminha clientes vulneráveis ou em sofrimento para atendentes humanos, e a IA é treinada para detectar os sinais que acionam esse encaminhamento.
Kampa apresentou a abordagem mais ampla como uma estrutura em camadas: "A regulação é apenas a base", sobre a qual se somam as próprias regras internas e os padrões culturais da Admiral, que às vezes vão além do que a regulação exige.
Essa estrutura em camadas também definiu onde a Admiral usava lógica determinística ou não determinística. Clark explicou que o raciocínio não determinístico é adequado para entender a intenção de quem liga ou detectar sofrimento, enquanto tudo que a empresa precisa poder comprovar — uma declaração regulatória obrigatória ou um caminho que o cliente precisa seguir — deve operar de forma determinística, sem nenhuma tolerância para o agente improvisar.
Neely descreveu como a estrutura de workflow da ElevenLabs dá suporte a isso na prática: os agentes são criados como um conjunto de subagentes especializados, com barreiras determinísticas, como a autenticação, que liberam ou restringem funcionalidades conforme uma condição seja atendida, em vez de deixar o modelo inferir o que tem permissão para fazer.
Desenvolva em conjunto com quem conhece o processo
Em vez de uma transferência tradicional entre requisitos de negócio e desenvolvimento de engenharia, a Admiral e a ElevenLabs realizaram workshops presenciais que reuniram, em uma mesma sala, as pessoas que conheciam o caso de uso, a equipe de engenharia e a equipe de telefonia. Neely disse que o primeiro workshop gerou uma v0 funcional do agente, conectada ao back-end e à telefonia, em quatro ou cinco horas. Kampa e Clark puderam então demonstrá-la internamente para obter aprovação e seguir com o desenvolvimento.
Clark afirmou que essa proximidade foi importante além do primeiro protótipo: os responsáveis pelo negócio agora estão próximos o suficiente da tecnologia para fazer algumas mudanças por conta própria, porque o workshop tratou a plataforma como uma forma de transferir um processo de negócio existente, em vez de introduzir algo novo e desconhecido. Kampa relacionou isso à gestão de mudanças de modo mais amplo, envolvendo líderes, gerentes intermediários e equipes da linha de frente desde cedo para que a tecnologia se torne parte de como o negócio realmente opera, e não um projeto paralelo.
É em produção que o trabalho de verdade começa
Depois de entrar em operação, a Admiral trata toda mudança em um agente, grande ou pequena, da mesma forma: como uma ramificação que passa por uma suíte completa de testes de simulação antes de chegar aos clientes. Clark descreveu como começam uma implementação com 1% do tráfego, acompanham em tempo real as métricas de satisfação e resolução dos clientes e expandem para 100% quando os resultados se mantêm — um ciclo que passou de semanas para horas.
Duas lições se destacaram nesse processo de iteração:
- Localize o idioma, não apenas as palavras. Inicialmente, a Admiral escreveu todos os prompts e workflows em inglês e constatou que o desempenho na França, Espanha e Itália não correspondia ao do Reino Unido. Reescrever os prompts originalmente no idioma de cada mercado, em vez de traduzi-los do inglês, gerou respostas alinhadas às expectativas e à cultura dos clientes locais.
- Os testes de simulação precisam ser levados a sério, não tratados como formalidade. Neely disse que escrever um prompt que passa em alguns testes simulados parece fácil, mas criar suítes de teste que realmente coloquem o agente à prova e definir critérios claros de sucesso desde o início é o trabalho mais difícil e mais importante. Agora, a Admiral executa de centenas a milhares de conversas simuladas para cada mudança antes de implementá-la.
Quanto aos resultados, Kampa destacou o tempo de atendimento como a principal métrica: conversas conduzidas por IA geralmente chegam à mesma resolução mais rápido do que as conduzidas por humanos, em parte porque não há silêncio enquanto um sistema carrega. Ela também descreveu o aumento gradual de CSAT e das taxas de resolução, mercado a mercado, por meio de rodadas repetidas de testes e ajustes, em vez de um único grande salto.
O que tirar disso se você está começando
O conselho de Neely para equipes que estão começando esse trabalho: escolha um caso de uso com escopo bem definido, coloque-o em produção rapidamente e deixe que conversas reais com clientes — e não mais testes antes do lançamento — revelem os casos extremos. Clark acrescentou que, depois que as integrações nas duas pontas (telefonia e sistemas internos) são comprovadas, escalar para outros casos de uso se torna cada vez mais rápido, porque a equipe já sabe quais avaliações e métricas importam.
O ponto final de Kampa foi mais além: a ambição vai além de automatizar conversas e inclui usar a mesma camada de IA para apoiar diretamente os atendentes humanos, com transcrições em tempo real, sugestões da próxima melhor ação e simulações de treinamento.
Como resumiu nossa apresentadora, a mensagem central desta conversa é que a regulação e a IA não estão em conflito. Desenvolver pensando em auditabilidade, consistência e encaminhamento para humanos desde o primeiro dia tornou os agentes da Admiral mais disciplinados, não menos.
Assista à sessão completa
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